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Definitivamente, um festival nacional

Em 87, doze estados brasileiros enviaram música para a triagem do 5º Musicanto, e seis conseguiram classificação, ao lado de um grupo uruguaio. A quinta edição do festival foi a que maior número de artistas brasileiros trouxe à Santa Rosa. Eudes Fraga, Nilson Chaves, Juca Novaes, Gil Damata, Murilo Fonseca, Danilo Horta, Grupo Avena, Celso Viáfora, entre outros, estiveram no palco da finalíssima e se tornaram, a partir de então, visitantes assíduos.

Mas o primeiro lugar, e o maior prêmio da música popular brasileira, ainda iria permanecer – até a 9ª edição, conforme veremos – entre os gaúchos. Desta vez com Elton Saldanha, que vinha fazendo ótimos trabalhos desde a primeira edição (como “Apelo da Paz” e os “Cardeais”) e que sempre teve um trabalho muito próximo daquilo que o Musicanto buscava como forma e filosofia, vencia com a zamba “Baguala”.

Mas Talo Pereyra, que um ano antes tinha vencido com “Brasilhana”, veio com outra surpresa – pelo menos para o júri – e abocanhou o segundo lugar com “Fogo Morto”, bela milonga apiazzollada parceria com o letrista Nenito Sarturi.

Por outro lado, o público e boa parte da imprensa estavam apaixonados pelo duo Nilson Chaves & Eudes Fraga, ambos do norte e nordeste, na amorosa “É Assim Meu Amor”. Ela ficou com o prêmio de melhor letra. Destacaram-se, ainda, “Festa Morena”, dos mineiros Murilo Fonseca, Gil Damata e Danilo Horta, e “Quadrilha”, do grupo paulista Avena. Os novos personagens trouxeram alegria e muita musicalidade ao palco do Musicanto.

“Não estamos tirando o lugar dos gaúchos”, dizia, no encerramento, o músico e produtor paulista Juca Novaes. “Estamos acrescentando, enfrentando também o problema da falta de espaço nas rádios. Não somos alienígenas, temos identidade com a música popular brasileira”.

Luiz Carlos Borges, em entrevista ao Diário do Sul, que então cobria o festival pela primeira vez, afirmava: “Não se deve ter medo de inovar quando se tem claro as origens”.

O pesquisador e crítico musical paulista Zuza Homem de Mello achava engraçado as preocupações levantadas, ainda naquele ano, quanto a direção que o Musicanto deveria tomar. “Engraçado como ficam discutindo isso aqui; o Rio Grande do Sul possui uma cultura forte, deve seguir seu caminho natural de intercâmbio cultural. Jamais vai perder sua identidade regional. Além disso, isso aqui está se tornando referência musical nacional”. Borges setenciava: “Nossa liberdade de ação se impôs; o Musicanto não precisa, a partir de agora, ser mais ou menos aberto”.

O paulista Celso Viáfora falava a todos que queriam ouvir que tinha adorado a idéia de vir ao sul, tocar e confraternizar com os músicos gaúchos. “O mais importante é o encontro, a convivência. A gente recebe e passa influência. O encontro permite discussão e polêmicas, e cultura sem contradição é pobre, estanque”.

Em sua linha de shows, o Musicanto continuou dando provas de seu perfeito equilíbrio entre o contemporâneo, o clássico e o folclórico regional. Arthur Moreira Lima, Dominguinhos, Almir Sater, Tambo do Bando, Dante Ledesma, Victor Hugo, Adair de Freitas, Cenair Maicá, Grupo Americanto, Pedro Ortaça, Carlos Talavera e outros trouxeram para aos palcos do festival desde o regionalismo mais enraizado até o sem urbano moderno, incluindo o clássico estruturado no folclórico.

Fonte: Revista Musicanto 10 anos – Novembro de 1992. Página 11.


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