Página Inicial
Home Memórias Depoimentos

Giba Giba mostra afro-gaúcho e consolida o candombe

Novos participantes, fusões de gêneros musicais, shows de alto nível e a vitória do chorinho na linha instrumental marcaram uma das mais abrangentes edições.

1990 foi o ano de Giba Giba. Como que prevendo que mais uma vez o Musicanto pegaria o rumo do inesperado, diferente de tudo que acontecia ao seu redor, Giba Giba, papa da música afro-gaúcha, arrebatou o prêmio maior com um candombe: “Beirando o Rio”. Um ano depois, o candombe começaria a tomar conta de shows de alguns artistas em Porto Alegre e figurar com maior intensidade nos festivais. “Beirando o Rio” descreve a paisagem litorânea de Porto Alegre que se desenha pelas curvas do Rio Guaíba.

Na edição de cobertura da final, o jornal Zero Hora descrevia: “Quem esteve em Santa Rosa presenciou uma mostra do que de melhor a cultura regional e popular brasileira possui, e que corre na contramão da grande mídia. Qual festival brasileiro pode se orgulhar, hoje, de resgatar o chorinho, de incentivar fusões do pop com tango, salsa e outras latinidades, de ter como participante o grande Patativa do Assaré )maior nome da literatura de cordel do nordeste) e mesmo de premiar como melhores instrumentistas um harpista e um trompetista. O Musicanto é um privilégio para a arte e a cultura brasileira”.

O 8º Musicanto trouxe para Santa Rosa mais um a vez, novos participantes. Entre eles os paulistas Capenga e Passoca (ex integrantes do importante grupo Bendengó), os mineiros Edson Denisar e Luiz Dillah – que em 92, venceria a segunda edição do festival Carrefour de MPB com a música “Dor de Calundu” – e os cariocas Fátima Guedes e Mongol.

Para dar idéia da diversidade e abrangência que o festival alcançara então para cá vieram toadas cariocas, chorinho, cueca, flamenco, afro-gaúcho, candombe, valsa, maxixe, milonga, canção e toada paulistanas, catira mineira, baião, salsa, moda de viola, embolada, vaneira, tango, chamamé, guarânia e canção nordestina.

A presença mais ilustre daquele ano foi João Bosco, que fez o show de abertura do festival, no Centro Cívico, e deixou uma placa escrita com seu apoio e opinião sobre o que estava vendo. Além de João, fizeram show em 90 Nenhum de Nós, Tambo do Bando, Mano Lima, Lúcia Helena, Dante Ledesma, Raul Ellwanger, Fátima Gimenez, Loma, além de delegações folclóricas da Universidade de Salta (Argentina) e Uruguaiana.

Oito anos depois, o Musicanto ainda não se livrara totalmente da oposição de alguns que insistiam em ver um festival mais “gaúcho”. Sobre isso, vale produzir o que o crítico Juarez Fonseca escreveu em Zero Hora, a partir de preocupações públicas do coordenador Luiz Carlos Borges: “Borges perguntou, durante um “Jam Session” na noite de encerramento, o que seria melhor para Santa Rosa e a música do Rio Grande do Sul. Se o Musicanto manter sua proposta e, com ela, continuar sendo o único festival efetivamente nacional do estado, considerado pelos participantes de fora como um dos mais qualificados e importantes eventos do país, ou o Musicanto voltar e tornar-se apenas outro, entre as dezenas de festivais gauchescos.

Foi o Musicanto como ele é que colocou Santa Rosa no mapa cultural do Rio Grande e a projetou nacionalmente entre músicas e artistas. Se, aceitando as pressões reacionárias, a prefeitura “abagualar” o Musicanto, ele terá perdido seu sentido principal, sua diferenciação, igualando-se por baixo à pilha de eventos cuja significação não ultrapassa os limites municipais e que não merecem atenção nenhuma além disso.

Acompanho o Musicanto desde o início, mas não voltaria a Santa Rosa se ele perdesse sua característica. Negar a importância que ele tem para Santa Rosa é burrice; querer que ele retroceda ao nível dos tantos festivais que atrasam a música gaúcha, é ignorância”.

Fonte: Revista Musicanto 10 anos – Novembro de 1992. Página 14.


Página Inicial Informações Turísticas Contato Painel de Controle Musicanto no Facebook