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A vitória dos Garfunkel e do blues paulista

Pela primeira vez o prêmio maior saiu para outro estado. Mas os gaúchos venceram a linha instrumental e os artistas de Santa Rosa ganharam uma etapa classificatória.

Quebrar dogmas, tradições, tornou-se norma do Musicanto. E a 9ª Edição, em 91, não fugiu a regra. Pela primeira vez em sua história, uma música de fora do Rio Grande conquistava o cobiçado primeiro lugar: “Não Vale a Pena”, dos irmãos paulistas Jean e Paulo Garfunkel. Eles que desde a quinta edição vinham apresentando bons trabalhos, finalmente venciam, tornando o festival ainda mais abrangente e nacional. Para completar, a vitória chegou com um blues, gênero originário nos Estados Unidos, na região do Mississipi, mas incorporado a realidade de qualquer metrópole do mundo.

Dessa vez, os “estrangeiros” levaram. Ficaram também com o terceiro lugar para “Pastel de Feira”, baião de Vicente Barreto e Celso Viáfora. Em segundo lugar, mais um excelente trabalho de Tambo do Bando: “Os Ciganos Vão Para o Céu”.

Estiveram no palco do 9º Musicanto, também novos autores, como os cariocas Paulo Campos, Cláudio da Matta, Eduardo Rangel e Roberto Pinto, os paulistas Miriam Mirah, Cláudio Guerra e Teleu, o mineiro Zé Beto Corrêa, os baianos Edílson Dhio e Sérgio Misan e o goiano Francisco Aafa. Entre os shows, destacaram-se as presenças de Alceu Valença, Gereba, Dércio Marques, grupos folclóricos Chaleira Preta e Lalo Darete, da Argentina. Entre as atrações locais, destacaram-se a banda de rock TNT, Neto Fagundes, Roby e Roberto e Luiz Carlos Borges.

Independente das discussões geradas – mais uma vez – ao final do festival, dessa vez sobre o fato de um blues ter vencido, o 9º Musicanto provou, novamente, ser o único festival do Rio Grande com abrangência nacional. E, ao contrário de muitos outros festivais, continuava mostrando vigor, inclusive no campo econômico. Naquele final de ano, passava por algumas mentes a idéia de se levar todo o festival para o Parque Municipal de Exposições, preparando um palco especial para isso. A idéia não vingou. Mas ninguém duvida que Santa Rosa tenha condições de concretizar essa idéia.

A vitória de um blues traria a cena, novamente, discussões sobre o rumo do festival. O crítico Juarez Fonseca, da Zero Hora, num artigo intitulado “Qual o rumo do Musicanto” opinava que, com a dimensão de um blues, o festival não deveria mais se chamar “Sul-Americano de Nativismo”.

O regulamento teria que ser mudado. O jornalista criticou também a linha instrumental com um baião – “Baião Safado” – quando, segundo ele, “as pesquisas sobre nossos ritmos e seu futuro estão praticamente paradas”.

Um dos vencedores, Jean Garfunkel, intérprete da música explicou que, na gênese da obra, ela é uma canção.

Paulo Garfunkel, autor da melodia, mas que não esteve no palco, avalia: “Intencionalmente é uma balada dor de cotovelo. Parece um pouco “Vingança”, de Lupicínio, aquela coisa de boteco na noite de Porto Alegre”. Segundo os irmãos, que já tem músicas gravadas por Elis Regina, “Não Vale a Pena” é superbrasileira.

Uma das decisões mais importantes daquele ano foi a criação de um pré-festival regional, para artistas da região de Santa Rosa, idéia que foi mantida para a 10ª Edição. Na primeira pré-eliminatória, classificaram-se para a etapa nacional as músicas “Solidão Andaluza” (de Cláudio Joner) e “Vida” (de Ademar da Silva e Odemar Gerhardt), ambas representando Santa Rosa. A primeira foi defendida por Victor Ramirez e a segunda pela Dupla Jane Kelly e César Lindemeyer.

Fonte: Revista Musicanto 10 anos – Novembro de 1992. Página 15.


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