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A consolidação do Tambo do Bando

Pela primeira vez os concorrentes de outros estados brasileiros foram em maior número. Mas os gaúchos continuaram levando a melhor.

Possivelmente o grupo que melhor vinha sintetizando a idéia do Musicanto em termos de música e letra do Rio Grande do Sul, o Tambo do Bando é exemplo clássico de um trabalho gerado nos palcos do festival, desde a quarta edição, e que se tornou referencial básico para a compreensão de um novo nativismo. E foi o Tambo, com sua ruidosa “O Campeiro e o Gravador”, xote estilizado, que fala de progresso chegando ao campo, que levou o prêmio máximo em 88.

Nos anos anteriores, o grupo já apresentara trabalhos definitivos como “Bombo da Noite” (86) e “Deixem Seus Olhos Fixos” (87). Além do primeiro lugar, o grupo arrebatou prêmios de “melhor grupo vocal”, “melhor instrumentista em sopros” (Texo Cabral), “melhor letra” (Sérgio Metz) e ainda dividiu o “melhor arranjo” com Celso Viáfora por “Medo da Noite”.

“Essa é nossa idéia de uma música regional nova no Rio Grande do Sul”, anunciava o compositor Vinícius Brum. “Queremos abrir horizontes e fronteiras”. O letrista Sérgio Metz concluía: “Vamos perdendo e ganhando porque a vida é assim. Perdemos, ganhamos, mas em qualquer circunstância, nos transformamos.

Destacaram-se em 88, também, as músicas “Foto-Revelação”, de Carlos Catuípe – que mais tarde iniciaria um interessante trabalho de pesquisa com a música do litoral norte do RS – e “Brasilidade”, do paulista Sérgio Augusto – que chegava pela primeira vez. A vitória do Tambo do Bando e o início de sua consolidação como grupo, veio num ano em que predominaram músicas de outros estados brasileiros: 21 entre as 36 concorrentes. Pela primeira vez, também, chegava uma concorrente do México: “Avioncito de Papel”, de Jesus Vasquez Estupiñan. Entre os brasileiros que baixaram naquele ano estavam os cariocas Vital Lima e Isso Fischer, os paulistas Sérgio Augusto, Celso Viáfora, e Jean Garfunkel, os nordestinos Juraíldes da Cruz, João Gomes, e Eudes Fraga, os mineiros Milton Edilberto, Alecir de Antonina, Gil Damata e Edmundo Santos.

Entre os shows que marcaram 88, destacaram-se Gaúcho da Fronteira, Elton Saldanha, Daniel Torres, Rui Biriva e Luiz Carlos Borges. O destaque de 88 foi a terceira edição do Festival Nacional de Folclore, reunindo em Santa Rosa delegações da Bolívia, Chile, Itália, México e Rio Grande do Sul.

Fonte: Revista Musicanto 10 anos – Novembro de 1992. Página 12.


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