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O canto feminino no ano de Mercedes Sosa

A vinda da cantora Argentina está na memória de todos como consolidação do projeto Musicanto. Em palco, as mulheres também foram a presença mais destacada.

As repercussões do primeiro Musicanto foram como ventania que varreu o mofo em que a música regional e popular do sul do Brasil estava colocada. O movimento nativista necessitava de uma sacudida e o Musicanto conseguiu dar asas a sua imaginação. Estava, com os olhos mais abertos que o próprio movimento nativista gaúcho. Não queria se prender a ele.

Para consolidar seu espírito latino-americano, o Musicanto precisava de uma presença de impacto. Ela aconteceu com a vinda da cantora Mercedes Sosa, maior símbolo da música latino-americana, pela primeira vez se apresentando no interior do Brasil desde que retornara para a Argentina após mais de uma década de exílio político. Quando 15 mil pessoas cantaram com ela naquela noite de 12 de outubro de 1984, no estádio municipal Carlos Denardin, estava consolidado o projeto Musicanto.

A vinda de Mercedes Sosa repercutiu nos principais meios de comunicação do país, incluindo matéria especial do jornal Folha de São Paulo do dia 14 de outubro. “A intérprete Argentina Mercedes Sosa é a grande atração do 2º Musicanto Sul-Americano de Nativismo, inaugurado quarta-feira passada na cidade missioneira”, iniciava a reportagem.

A segunda edição abrigou, também, as primeiras discussões sobre os caminhos, o futuro e a filosofia do festival, respingos da primeira edição. Afinal, o que pretendia o Musicanto: Música rural ou urbana, nativa ou popular, regionalismo ou tradicionalismo. Surgiam as primeiras críticas dos mais conservadores, vinculados à arte tradicionalista gaúcha.

Em palco, a presença maior de autores gaúchos e a vitória retumbante de “Canto da Mulher Prometida”, de Dilan Camargo e Celso Bastos, dupla de autores que se firmava entre as mais constantes na linha de uma música popular urbana, mas de poética embasada no regional. Além dela, que levou vários prêmios, incluindo o primeiro lugar e melhor cantora, destacaram-se naquele ano, “Pilão”, com Eraci Rocha, “Cântico Brasileiro Nº 3”, com Rita Maria Stumph, “Vire o Mate”, com Jerônimo Jardim.

Naquele anos, o maior número de matérias jornalísticas sobre o Musicanto, eram publicadas no diário O Estado do Paraná, mais importante jornal daquele Estado, numa série assinada pelo saudoso Aramis Millarch, um dos grandes pesquisadores da música brasileira. Aramis descreveu a representatividade de uma canção feminina vencer um festival num meio muito forte, além de análises globais sobre o estágio dos festivais nativistas do sul.

Fizeram show no palco do Centro Cívico Cultural Antônio Carlos Borges e no Parque Municipal de Exposições Alfredo Leandro Carlson, também, Raul Ellwanger, Canto Livre, Gilberto Monteiro, Grupo Caverá, João Chagas Leite, Oswaldo Gaona Y Su Trio (Paraguai), Los Hermanos Vallejos (Argentina) e Nelson Coelho de Castro.

Fonte: Revista Musicanto 10 anos – Novembro de 1992. Página 8.


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