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O mais nacional dos nossos festivais

Quem conhece a história dos festivais sabe que um dos objetivos primordiais de sua realização, e isso aparece na grande maioria dos regulamentos, é projetar a música gaúcha (ou gauchesca) no Brasil. “Seria” projetar talvez fique melhor. Seria, porque tal idéia nunca saiu do papel pelo simples fato de desconhecer que o Brasil existe também, e imenso, e diverso, desconhecer da fronteira com Santa Catarina. Os festivais nunca fizeram sequer um movimento no sentido de cooptar o interesse de outras regiões brasileiras. Até que veio o Musicanto com a intenção de fazer exatamente isso.

O Musicanto nasceu sabendo que todos os Estados brasileiros têm o seu próprio “nativismo”, e pensando que a melhor forma de divulgar a música produzida no Rio Grande do Sul era trazer músicos de outras regiões para conviver e dividir o palco com os gaúchos. Mesmo que alguns xenófobos ainda se manifestem contrariamente, minimizando a importância e o papel histórico do Musicanto, o objetivo foi conseguido. O festival de Santa Rosa tornou-se o mais nacional dos festivais brasileiros nestes dez anos. Mesmo assim nunca deixou de ser gaúcho nem nunca teve um milímetro de preconceito em relação à música mais caracteristicamente gauchesca, desde que ela tenha significação e/ou qualidade – mas isso vale para todos.

Nestes dez anos o Musicanto ficou conhecido em todos os quadrantes nacionais e as centenas de inscrições que recebe a cada edição atestam não apenas que os instintos culturais brasileiros têm muito a dizer, como o Rio Grande do Sul desempenha um papel de vanguarda nesse sentido. Os interiores, por enquanto afastados da mídia das cidades centrais, vão construindo as suas alternativas – e não é apressado ou ingênuo dizer que fecham cada vez mais o cerco. As evidências breganejas de agora, que conquistaram seu lugar ao sol – por que não? Vão dar lugar a uma nova interpretação do Brasil como país e não apenas como litoral. E o Musicanto poderá falar a respeito disso.

OS – Luiz Carlos Borges, um ativista gaúcho, brasileiro e latino-americano acima de qualquer suspeita, acertou na mosca ao idealizar o Musicanto. Tanto estava certo que, sem ele, o festival mantém o mesmo espírito e continua crescendo.

Juarez Fonseca – Jornalista e Crítico Musical.

Fonte: Revista Musicanto 10 anos – Novembro de 1992.


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