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Uma história de talento e ousadia

Gramsci disse: “Precisamos acreditar na polêmica, com ela a respeito às idéias opostas. Se acreditarmos na dialética das idéias, temos de nos dispor à polêmica. Quem não respeita as idéias de outro, desrespeita suas próprias idéias”.

Assim é o Musicanto. Polêmico, porque nasceu para romper com os grilhões que os festivais do Rio Grande do Sul mantinham com a música galponeira e a rejeição que faziam (salvo honrosas exceções) às manifestações “alienígenas” em nossa música. Polêmico porque ao falar em nativismo considerou as idéias inatas em toda sua dimensão, incluindo, obviamente, as manifestações urbanas (onde vivem 90% das populações), seus costumes, sentimentos, emoções e dores.

Para o Musicanto chegar ao estágio em que se encontra, num estado em que, especialmente no início da década de 80, “tradicionalistas” e “nativistas” se digladiavam, foi preciso apostar na força das idéias e crer que a arte não tem limites geográficos e nem ideológicos. Mas não foram muitos que se dispuseram a essa tarefa. Felizmente, os adeptos crescem a cada ano.

Enquanto o Musicanto cresce e se projeta, deixa para trás um rastro glorioso de realizações. No campo cultural propriamente dito, registra músicas imortais. As futuras gerações, ao ouvirem “No Sangue da Terra Nada Guarani”, “Pilão”, “Pampa de Luz”, “Brasilhana”, “Nossas Veias”, “Filhos da Ventania”, “É Assim o Meu Amor”, “Guaxos”, “Medo da Noite”, “Cuñataís”, “Bombo da Noite”, “Vozes Rurais”, entre outras, por certo não se desmentirão. As escolas de música que o Musicanto inspirou, sabendo-se que hoje mais de 400 alunos freqüentam cursos de violão, gaita e outros instrumentos, dão certeza de um futuro diferente. Afora a oportunidade que a comunidade teve de assistir pessoalmente Mercedes Sosa, Elba Ramalho, João Bosco, Arthur Moreira Lima, Almir Sater, Alceu Valença, Sá e Guarabyra, grupos de folclore da Itália, México, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Venezuela.

Hoje, Mercosul é a palavra de ordem. Buscam os países da América do Sul sua integração econômica convictos de que o isolamento os manterá no atraso os caminhos da Europa. Quero crer que o Musicanto, com a visão de seus idealizadores, com a compreensão e inspiração dos músicos e compositores, com a cobertura da imprensa, com a ruptura dos condicionamentos, com os rumos que tomou, há dez anos, faz sua parte nesse sonho de uma pátria grande, sem divisas, neste continente.

Anualmente, o Musicanto recebe, para a triagem, mais de 400 músicas. Todas estão nos arquivos da Secretaria Municipal da Cultura. Que material fantástico existe para pesquisa, para a história! Tudo, felizmente está muito bem guardado. Um dia quando for construída a Casa da Cultura, teremos um lugar para abrigar tão valioso documentário, junto com outros registros que o Musicanto proporcionou”.

Aquiles Giovelli – Presidente 3º e 5º Musicanto Sul-Americano de Nativismo

Fonte: Revista Musicanto 10 anos – Novembro de 1992.


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