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20/11/2014

A NOVA CARA DO MUSICANTO

por Hélio Barcelos*

Em suas andanças pelos Estados Unidos onde morou por alguns anos, Érico Veríssimo dizia morar numa cidade que tinha uma orquestra sinfônica. Pouco adiantaria dizer que o nome era Porto Alegre, na época, uma região pouco conhecida. Mas uma Orquestra Sinfônica, esta sim, tinha – e ainda tem - status e referências culturais importantes. Afinal, quantas cidades do Brasil têm uma? Parece razoável afirmar que, as que possuem uma orquestra tem, também, uma visão diferenciada de cultura, além de um perfil empreendedor, uma vez que os instrumentos não são gratuitos. Mas, sabe-se, por exemplo, que uma vez formada, o grupo continua precisando de afagos e cuidados. Um público fiel para assistir aos seus concertos e zelar para que ela tenha vida longa já é alguma coisa.

Não temos aqui uma OSPA, mas quem sair de Santa Rosa pode dizer que mora numa cidade que, além de berço de Xuxa e Tafarel, é, com muito mais propriedade, a cidade com um grande festival de música com alcance nacional. Mais: que tem revelado talentos e criado uma comunidade apaixonada em sua volta. Sim, ele extrapolou como evento cultural para ser também um elemento agregador. Tem o poder de reunir numa grande festa os que aqui moram e os que já se bandearam para outras cidades e que neste dia retornam para confraternizarem. Tem disso. Ele parece ter adquirido vida própria. Mas, não esqueçamos que, mesmo com todos os cuidados, ele quase desapareceu. Não tinha afinal, sete vidas como se imaginava. As crises pelas quais passou, como falta de patrocínios, esgotamento a nível de propostas, cancelamento de edições, porém, não o enfraquecerem. Ao contrário, pareceram revitalizá-lo. “Um patrimônio dessa envergadura não podia morrer na praia”, se dizia.

E eis que neste ano, tal Fênix teimosa, ele renasce em novo formato e mais dinâmico que nunca. Mudar para não perecer, talvez seja o mote mais apropriado. Ampliaram-se as propostas mantendo-se a música e os shows, acrescentou-se a dança, exposições artísticas, oficinas e tudo o que se relaciona à arte - ainda a melhor resposta para muitos de nossos traumas e manias. A arte humaniza. Faz-nos ver a realidade com outros olhos, linguagem e perspectivas. Melhor assim.

A variedade de atrações no novo Musicanto, é que me pareceu decisiva. Tal restaurante famoso, interessado em mostrar a tantos quanto possível os seus melhores pratos, receitas e forma diferente no atendimento, elaborou-se um cardápio para ninguém botar defeito. Essa aconteceu no sábado. Eis que os intervalos dos shows - feitos de pura muvuca - no saguão e asfalto, são interrompidos. A atração seguinte estava prestes a começar. Local: palco interno. Obediente, o público ruma para onde o prato mais suculento da noite seria servido. A orquestra, já a postos, aguardava os “degustadores”. Dessa vez, com um menu mais sofisticado. Casa lotada, só havia lugar na parte superior do teatro. O ponto alto de tudo o que se vira nos dias anteriores iniciaria em minutos. Prato principal: músicas premiadas do festival em outros anos, com arranjos de orquestra.

Se o programa terminasse naquele instante, ninguém reclamaria de nada. Nota dez para o SESI. O nosso autor de O Tempo e o Vento tinha, enfim, boas razões para dizer que sua cidade tinha algo mais para oferecer. No fim de tudo e inebriados por uma programação cultural variada e intensa, ficamos com a impressão de que nada faltara naquela maratona de eventos. Na verdade, um banquete de encher os olhos e ouvidos, com a impressão de que algo mudara na cidade após ele... E para melhor. O Musicanto – e agora é pra valer - continua vivo. E infinitamente melhor. Não podia ser de outra forma. Descobriu-se a fórmula do sucesso. Agora...Bem, agora será cada vez melhor.

*professor.

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